quarta-feira, 22 de setembro de 2021

O CRISTIANISMO E OS ANIMAIS: uma relação de unidade, vida e amor.

Hudson Cunha

 INTRODUÇÃO - Este texto é resumo (com algumas supressões) de um estudo sobre a relação entre o Cristianismo e os animais.

Antes de adentrar a esta análise, é necessário observar que a Bíblia sofreu e sofre alterações e versões de acordo com os desejos, pressões do meio e dos principais dirigentes. A cada versão publicada, redações são alteradas em vários versículose em espaços temporais menores, menos de uma década atualmente.

Nota-se que há sempre uma força do presente alterando o conteúdo original da Bíblia. 

E a transliteração sempre tem falhas, dado que os originais vêm do hebraico e do grego, cuja tradução é sempre aproximada e levam as peculiaridades do tradutor e seu meio.
    E versões equivocadas da Bíblia facilmente, no que diz respeito aos animais, levam a versões especistas, hierárquicas e antropocentristas, como demonstraremos.

 Para desenvolver o trabalho, abordaremos os principais momentos bíblicos, tais como a criação, o Paraiso até a queda, o dilúvio e sua consequência, o êxodo e seus alimentos, a legislação mosaica, as atitudes e visões dos profetas bíblicos, o ministério de Jesus e os atos dos apóstolos, a visão pauliana, bem como com maior destaque a previsão do novo mundo e novos céus, constante em Isaias, apocalipse e diversos outros livros bíblicos.

OBJETIVOS - Pretendemos três objetivos com o nosso trabalho:

1º) polemizar com os que dizem que o Cristianismo propõe um trato com os animais de submissão, voracidade e violência, de visão especista, antropocêntrica e hierarquizante, embora alguns cristão justifiquem a crítica, como o próprio Papa Francisco, em sua encíclica Laudato Si’.

2º) mostrar a perspectiva Cristã em relação aos animais e à natureza;

3º) acusar que há os pastores da morte que preferem por motivos que serão expressos manter as condições constantes em livros bíblicos já ultrapassados pelos posteriores.

CRIAÇÃO E A TRANSLITERAÇÃO DOS TEXTOS BIBLICOS: A CRIAÇÃO SEM HIERARQUIA - A polêmica começa na descrição da criação do mundo, as versões dos versículos 1:26 e 1:28, na versão, tradução, do termo iurdi.

“Gênesis 1:26. Façamos o homem a nossa imagem, conforme à nossa semelhança, tenha ele domínio (ou reine ele)  sobre os peixes e os animais domésticos, .... “Uma visão de domínio e de reinar.

Quando se faz esta versão, como aqui apontada por Fabio Chaves, a tradução leva visão especista, hierárquica, antropocêntrica, pois coloca o homem como domínio/reino sobre os animais. Assim traduz, que melhor tradução seria “descerão”, dado que a palavra domínio tinha a palavra “shalthanhou” ou “mashei” e não yirdu. E aí apresenta a sua versão dos versículos citados.

  Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança; e descerão para (a condição de) os peixes do mar, para os rebanhos e para toda a terra e para todo réptil que rasteja sobre a terra.

“E abençoou-os Deus e lhes disse Deus: fecundem-se, tornem-se muitos, encham a terra e preservem-na; e desçam para (a condição dos) peixes do mar, e para as aves dos céus e para todo animal que rasteja sobre a terra”.

A mesma questionável tradução, transliteração, ocorre quando se vai verter o texto do versículo Gênesis 2:15, onde se traduz “shemar”, guardar, como um mandar com ares de superioridade, sendo que guardar significa proteger, vigiar, ser como que mordomo, da obra de Deus no sentido bíblico do termo, logicamente.
QUANDO DA CRIAÇÃO: ALIMENTO DOS HOMEMS FRUTAS E DOS ANIMAIS ERVAS.
  É bom salientar que quando da criação, tanto na Bíblia Católica, como na protestante, consta que os homens e os animais não comiam carne, os homens frutos e os animais ervas (está em Gênesis 1.29-1.30).

QUEDA - HOMENS PASSAM A SE ALIMENTAR DE ERVAS. Quando da queda, houve uma alteração nos alimentos para o gênero humano, ele passaria a viver de ervas do campo (Gênesis 3:18). E assim foi até a 10ª geração, quando ocorreu o dilúvio.

DILÚVIO - FALTA DE VEGETAIS E CARNE COMO ALIMENTO- O Dilúvio teria consequência no planeta: afetou reprodução vegetal, houve escassez. A bíblia relata que, então, Deus permitiu ao homem comer carne dos animais e ao mesmo tempo colocou aversão e medo dos animais em relação aos humanos. Seria uma autorização temporária, que se tornou permanente para muitos.

E, nesta época, também se iniciou uma prática, por Noé, de realizar holocaustos de animais, o que durou até o ano 70 depois de Cristo, quando foi destruído o Templo de Jerusalém, onde previam os costumes, e depois a legislação mosaica que era o único local onde teria holocaustos.

ÊXODO - O PERÍODO DO MANÁ DIVINO - Quando os judeus saíram do Egito, em sua epopeia no deserto, retrata a Bíblia que os filhos de Israel eram alimentados com maná que caia dos céus, um alimento era misto como semente de coentro branco e sabor como bolos de meu (Gênesis 16:31), com poder nutritivo de carne e pão.

  Mas, em determinado momento, da peregrinação de 40 anos, houve uma reivindicação de carne e outra alimentação como era no Egito (Gênesis 11: 1-2), o que irritou a Deus.

  Deus mandou codornizes para atender a voracidade deles, mas a contragosto, tanto que alguns foram punidos com uma praga terrível (Num 11:33).

PROFETAS VEGETARIANOS - Se analisarmos os profetas bíblicos e fiéis mais inspirados quase todos desenvolveram ideias e princípios em busca da justiça social, na defesa do trato civilizado dos animais.

  A questão animal não pode ser vista isolada da proposta bíblica, devemos ver a luta contra a injustiça em todos os profetas, que, alguns deles, além de recomendarem alimentação com base em frutos ou outros vegetais, condenavam o abandono de crianças, de viúvas e outros necessitados. E apontavam para um futuro divino onde não haveria pobre, todos teriam saúde, alimentariam condizentemente e viveriam em paz e felizes por muitos anos.

JESUS CRISTO - Os Cristão deram um impulso neste modo de ver esta mensagem bíblica, principalmente, após Cristo, além  condenar as riquezas e expor sua missão “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e restauração de vista aos cegos , pôr em liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável ao Senhor”(Lucas 4:18), falou sobre os principais mandamentos: “Ame ao Senhor, o seu Deus de todo coração, de toda a sua alma e de todo seu entendimento. E, o outro mandamento: Ame o seu próximo como a si mesmo. (Mateus   27:20).

DIMENSÃO DO AMAR A DEUS - E para o Cristão amar a Deus, é amar também sua obra que tem caráter divino. É amar a natureza e todas as criaturas. É um biocentrismo expandido até a natureza em geral.

FUTURO, CONFORME ISAIAS, E É A PERSPECTIVA GERAL NÃO SÓ PARA OS ANIMAIS -  Para o Cristão, são perenes os compromissos constantes no mundo futuro previsto por Isaias e em Atos dos Apóstolos 4:32 de que “Ninguém deve ser considerar exclusivamente suas as coisas que possuía”, e, em Atos 4:34, de a “cada um, conforme a sua necessidade”. Bem como, as perspectivas de uma nova sociedade, do reino de Deus, em que não haverá nela criação para viver poucos anos (Isaias 65.20), quem edificar uma casa terá direito tê-la (Isaias 65:21), ninguém trabalhará em debalde terão o fruto do seu trabalho (Isaias 65.23) Haverá paz, prosperidade e justiça para todos ((Isaías 2:4, 9:6-7, 11:3-5, 65:20-25, 66:1-2, Miquéias 4:3-5, Malaquias 1:11, Mateus 5:1 - 7:29).

   Ou seja, muitos aspectos do socialismo cristão primitivo já estavam delineados, bem como a previsão de um futuro socialista.

ANIMAIS NO MILÊNIO CRISTÃO - O RETORNO AOS ALIMENTOS IDEAIS - Há previsões específicas de um futuro para os animais no milênio cristão, é o mundo de novos céus e nova terra, destacamos o que está em que Isaias, numa visão profética, diz que:
        1.  "O lobo e o cordeiro pastarão juntos e o leão comerá palha com o boi, pó será comida de serpente. Não farão mal nem dano algum em todo o meu Santo Monte, diz o Senhor". (Isaías 65:25).  Diz mais: E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi.   E brincará a criança de peito sobre a toca da áspide, e a desmamada colocará a sua mão na cova do basilisco. (Isaías 11:6-8).

2.      E se condenará aquele que age contra os animais e se considerará: "O que imolar um boi é como 
o que comete homicídio; o que sacrifica um cordeiro, como o que quebra o pescoço a um cão; o que oferece oblação, como o que oferece sangue de porco..." (Isaías 66:3).

  Este é o ensinamento bíblico para ser divulgado, enfrenta e enfrentará  a reação dos pastores da morte, de conservadores e de comodistas.

PODER DO CAPITAL. O poder do capital - no investimento da indústria alimentícia e no contexto dos demais investimentos no capitalismo - possui muitas ramificações, inclusive em igrejas. 

 Igrejas, por sua vez, cada dia mais, abandonam a autêntica mensagem cristã a trocando por uma visão que eleva a ilusão, a dominação e a exploração dos povos e dos mais simples. E, ao mesmo tempo, que, não por acaso, pastores que pregam a complacência com o domínio do capital, ocultando a mensagem do futuro cristão previsto na Bíblia Sagrada. 

E, ao mesmo tempo, propagam ideologias reacionárias que tentam perenizam as condições de cativeiro das maiorias. Estes religiosos também participam do saqueio dos esforços dos trabalho dos segmento mais explorado e oprimido da sociedade.

   E, no contextoda força do capital se encontram inclusive as grandes empresas do agronegócio que exploram a carne, como alimento e mercadoria que sejam economicamente lucrativa. 

De empresários e seus prepostos que defendem uma produção predatória. E, também, criam ramificações que irão influir até na evolução do ciência, inclusive teológica,  muitas vezes ocultando verdades sobre estas empresas, a necessidade humana de saúde com alimentação sadia e sobre a necessidade preservação da natureza, de fim do trato violento seja entre humanos seja com animais,  bem como da viabilidade de concretização da esperança  de alguns da rendençao das grandes maiorias que trabalham as riquezas do mundo.

PASTORES DA MORTE.  Os aproveitadores do fato de as religiões estarem entre os maiores e mais lucrativo negócio do mundo, pregam em dissonância com o evangelho para ganharem ou controlarem grandes fortunas. Exemplos das fortunas destes ou controladas por estes pastores, pode ser notado na revista Forbes de 2015, quando falou das fortunas dos pastores brasileiros, Edir Macedo 950 milhões de dólares, Valdemiro Santiago, 220 milhões de US$, Silas Malafaia, 150 milhões, RR Soares, 124 milhões etc., E isto há 6 anos, enriqueceram muito mais.

São pastores da morte, sem interesse em que prevaleça a verdadeira proposta cristã. Estão interessados é em explorar fiéis e viverem com suas fortunas, enquanto os pobres fiéis morrem, matam e se matam, são submetidos a uma sociedade e céus opressivos e exploradores, sem conhecerem a doutrina cristã, e ainda são desincentivados a lutarem para mudar a situação que lhe são aversivas. Estes pastores da morte ainda são os defensores do capitalismo monopolista que oprime e explora os povos no plano internacional, e, internamente, os trabalhadores e demais segmentos mais humildes da sociedade.

E há ainda pastores, inclusive padres,  que hoje contribuem para divulgar a visão arcaica de sociedade, sem a real fidelidade ao Senhor, não adotam princípios de acordo com as perspectivas futuras do Milênio Cristão e nem se comprometem em lutar pelo novo mundo e novos céus, mascaram a coerência desta luta por justiça e fé. Alguns por equívoco, outros por comodismo, outros por submissão às estruturas hierárquicas impositivas de suas igrejas

AMPLITUDE DA LUTA CRISTÃ. - A luta cristã, fundada naquela autenticidade do que propõe o texto bíblico, certamente enfrentará estes pastores morte e seus sequazes. Será uma luta pelo desenvolvimento sustentável no contexto e perspectiva da conquista de uma sociedade justa, fraterna e sem diferenças, ou seja, rumo ao socialismo ou comunismo cristão, que tem como uma das suas particularidades a convivência com unidade, vivência e amor com os animais e toda a natureza, com uma alimentação de todos os seres - humanos ou não - que não implique em mortes.

E NÓS DO PT E DA IGREJA PROGRESSISTA - Terminamos aqui com uma alerta, cabe a nós, seja dos grupos cristãos autênticos e do Setorial dos Direitos Animais do PT, debatermos esta perspectiva cristã enquanto crescemos nosso compromisso com a luta pela transformação radical da sociedade, em seu contexto no mundo do futuro de amor entre os seres, de paz e de justiça.

OBSERVAÇÃO: Este pequeno texto é resumo da exposição preliminar que apresentei ontem, 21/09/2021, para o grupo COM CRISTO, do Cruzeiro, que pretendo aprofundar. Este grupo COM CRISTO reúne diversos teólogos(as) e fiéis comprometidos(as) com causas sociais numa visão baseada na Teologia da Libertação (TdL) e/ou Teologia da Missão Integral (TMI) e outras em visões teológicas progressistas, além de desenvolverem seus cultos, onde normalmente ativamente pleiteiam um mundo de paz, justiça e amor no sentido do socialismo cristão.
Observação: Feito às pressas, será revisado posteriormente.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

RESENHA de DIREITO ANIMAL: Inter-relações entre animais, humanos e não humanos. de Ronaldo Leite da Silva Filho e Adrielly de Lira Moreira da Silva.

 Livro: DIREITO ANIMAL: Inter-relações entre animais, humanos e não humanos.

Autores: Ronaldo Leite da Silva Filho e Adrielly de Lira Moreira Silva.

Edição: Ronaldo Leite Silva Filho, 2019, de Patos-MG, na Amazon.

Páginas: 70 p.

Resenha de Hudson Cunha

    Atualmente em oferta: R$ 1,99

     RESENHA

            O livreto só tem 70 (setenta) páginas, a linha de pensamento dos autores fica refletida na opção declarada ao biocentrismo e por sua concordância com a seguinte frase de Abraham Lincoln: “Não me interessa nenhuma religião cujos princípios não são melhores e nem levem em considerações as condições dos animais”.

É uma obra recomendada para quem objetiva uma introdução resumida para se deter alguns elementos para o debate das relações entre os seres humanos e os animais e sobre a história da legislação brasileira em defesa dos animais e das recentes decisões jurisprudenciais  contrárias aos animais, resume historicamente o processo de domesticação, bem como aborda as visões religiosas sobre direitos e trato dos animais, sintetiza concepções antropocêntricas, biocêntricas e  especistas.

Na relação dos humanos com os animais, há um destaque no histórico destas relações com os animais domésticos, retroagindo há mais de 12.000 anos até os nossos dias.

Neste diapasão, também, cita as concepções sobre os animais de diversos pensadores, como Pitágoras, Francisco de Assis, Ramon Borgés, Jean Jacques Rousseau, Jeremy Bentham, Charles Darwin, Schopenhauer e Abraham Lincoln entre outros.

Na legislação brasileira são rapidamente comentadas as legislações, no entender dos autores, mais importantes e surgidas após a Lei 14.529, de 9 de dezembro de 1920, que proibia o uso de briga de animais em casas de diversões: a primeira lei em proteção dos animais, conforme os autores.

Das visões religiosas, os autores destacam as visões das religiões abraâmicas (judaísmo, cristianismo e islã), budismo, hinduísmo, jainismo, candomblé e da umbanda.

             Entre suas abordagens, há análise do trato dos animais em casas de diversão e eventos, inclusive rodeios e espetáculos circenses, descreve maus tratos e confronta a legislação e a jurisprudência atuais. Aqui destaca a regressão que representou a interpretação do Supremo Tribunal Federal do art. 225, da Constituição Federal, a aprovação e vigência da Emenda Constitucional nº 96, de 2017, e a sanção, por Bolsonaro, da Lei nº 13.873/2019, que regulamenta vaquejadas e rodeios. Retrocessos estes que refletem o frio e interesseiro poder da bancada ruralista na sociedade, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, com apoio do Poder Executivo.

            Enfim, uma obra que merece nossa leitura, embora não tendo a profundidade esperada por alguns, mas nos fornece elementos para aprofundamento dos temas e aponta caminhos que poderemos seguir criticamente.

COMO LER A OBRA:

O livro foi editado em forma de leitura para KINDLE é pode ser adquirido no seguinte endereço eletrônico: https://amzn.to/3hvLn69

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quinta-feira, 24 de junho de 2021

CULTURA E POLÍTICA NO BRASIL ATUAL

Livro: *CULTURA E POLÍTICA NO BRASIL ATUAL*
Organizadores: Antônio Albino Canelas Rubim e Márcio Tavares
Editora: Fundação Perseu Abramo
1ª edição, 2021–
Páginas: 551
*E-book grátis*


Queres ter uma noção sobre quase todo o contexto politico-cultural no Brasil hoje numa visita que compreenda, como resumiu o professor Albino Rubim: "a onipresente pandemia, as guerras culturais, as políticas culturais, a gestão da cultura, financiamento da cutlura, a questão das artes, a questão do patrimônio,  museus, universidades, culturas e periferias, ativismos artisticos e culturais, culturas identitárias e a comunicaçao"? Eis a obra que almejas.

Trata-se de mais uma obra coletiva proporcionada pela Secretária Nacional de Cultura do Partido dos Trabalhadores - PT e pela Fundação Perseu Abramo – FPA: CULTURA E POLÍTICA NO BRASIL ATUAL, redigida por agitadores culturais e por pesquisadores, serve para dar uma compreensão da realidade política e cultural no Brasil, pós golpe de 2016 e a contemporânea, sendo que alguns artigos reportam à evolução buscando raízes histórica de longa data.

Esta obra foi lançada no dia 21 de maio de 2021, pela Fundação Perseu Abramo e pela Secretaria Nacional de Cultura do PT, a deputada Benedita da Silva faz a apresentação, tem 21 autores, 2 deles, foram os organizadores, além de serem também autores de artigos do livro: o professor Antônio Albino Rubim e Márcio Tavares, este último o atual Secretário Nacional de Cultura do Partido dos Trabalhadores – PT.

  Os autores demais autores são os seguintes: Sergio Mamberti, Miguel Jost, Venício Lima, Valter Pomar, Celi Pinto, Leandro Coling, Marcio Meira, João Carneiro, Márcia Sant’Anna, Lia Calebre, Cristine Ramirez, Tony Teófilo, Eliane Costa, Jackson Raimundo, Gaudencio Fideles, Carlos Paiva Neto. 

O professor Antônio Rubim observou, também, no lançamento do livro, que esta coletânea possui duas lacunas, embora no interior do livro, só falem em uma, são:  a cultura afro-brasileira e o audiovisual. Este último um setor muito perseguido pelo atual governo de direita.

Não é uma simples obra a mais sobre cultura e política, dado que -  além de se colocar com destaque no debate o tema cultura, as vezes relegado,  e de nos fornecer vocabulário e visão dos diversos segmentos culturais – há uma construção dialética desta obra que visa se inserir e incentivar a inserção no engajamento com compromisso político com a reflexão sobre as relações entre a cultura e a política contemporâneas e na contribuição para a construção de um Brasil mais justo, democrático, soberano, livre e criativo, logicamente que se trata de uma munição para o combate contra os obscurantistas fascistas e, também, evangelismo pentecostal que hoje infelicitam a realidade cultural e política brasileira.

Dada a multiplicidade de temas abordados, sempre encontramos novidades que nos fornecem novas perspectivas criativas e ainda nos comunica elementos para um posicionamento político mais consentâneo com a necessidade de cada setor da cultura.

Assim, nossos posicionamentos e capacidade de luta político-cultural são aprofundados, desde a apresentação de Benedita da Silva, que observa que para conhecer a cultura é preciso desbravar as diversas manifestações culturais expressas pelo Brasil, defendê-las e proteger a nossa cultura regional e lutar por nossos direitos culturais, nosso patrimônio histórico e afirmar a cada passo e se posicionar para a construção da sociedade. Detalhadamente a companheira Bené expressa lá no livro, lerás, e, conclui: “Sim. Nós podemos transformar o mundo que vivemos, podemos garantir a soberania como nação, pois cultura é o que somos. Cultura é vida”.

  No prefácio, os organizadores da obra analisam os efeitos da pandemia, sem deixar de referir a união dela com pandemônio que é o (des)governo Bolsonaro, unidade que combina uma série de crises: econômica (anterior à pandemia), com a tentativa de implantar um (ultra)neoliberalismo, que destrói direitos e não produz nenhum desenvolvimento ambiental. (...). E, apontam, também, com acerto: “A combinação entre pandemia e pandemônio impõe um cenário de grande complexidade, que exige uma atuação política resiliente, persistente e imaginativa, propondo modos de luta e programas de atuação capazes de enfrentar e superar a gravidade da situação atual.”

Terminamos. Preferimos não resumir aqui cada uma das matérias, pois, se o fizéssemos, sem dúvida, tiraria a surpresa, o prazer e a evolução prevista que terias, como foi certamente a pretensão de cada um dos autores, sejam eles ativistas ou pesquisadores.

  Leia, tenho certeza, terás uma boa leitura.

Poderás baixar esta obra gratuitamente (e-book), no site da Fundação Perseu Abramo, no seguinte endereço eletrônico:  https://fpabramo.org.br/publicacoes/estante/cultura-e-politica-no-brasil/ 


quinta-feira, 3 de junho de 2021

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA: A VERDADE VENCERÁ O povo sabe por que me condenam

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        Lula, próximo a sua prisão, nos dias 7, 15 e 28 de fevereiro de 2018, concedeu três rodadas de entrevista aos jornalistas Juca Kfouri e Maria Inês Nassif, ao professor de relações internacionais Gilberto Maringoni e à editora da Boitempo Ivana Jinkings, quando, com sua fluência e objetividade, expôs, no contexto da história brasileira, a trajetória política  pessoal e dos governos petistas e acusou a perseguição judiciária (lawfare) que sofria, com a expressa certeza de que mais cedo ou mais tarde a verdadeira versão dos fatos prevaleceria. 

                        De fato, Lula prenunciava a possibilidade de sua prisão. Prisão esta que durou 580 dias, sendo que ocorreu, em 7 de abril de 2018, somente 37 dias após estas entrevistas. Eis que sua prisão aconteceu após o discurso histórico de Lula proferido no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.
            Lula por Lula, assim definem os editores, a maior parte do conteúdo do livro-entrevista, pois Lula descreve fatos relacionados com a sua vida sindical, com a criação e desenvolvimento do PT, suas atitudes nas campanhas políticas em que se envolveu, as suas gestões como presidente, suas propostas e as do PT no quadro partidário e na realidade brasileira, denunciando o golpe de 2015, bem como as perspectivas futuras.
            A obra com uma apresentação singela Luiz Felipe Alencastro, nota de Ivana Jinkings, prólogo de Luiz Fernando Veríssimo, prefácio de Luiz Felipe Miguel, foi organizada por Ivana Jinkings, com a colaboração de Gilberto Maringoni, Juca Kfouri e Maria Inês Nassif, contém ainda artigos de Eric Nepomuceno – Lula: anotações para um perfil - e de Rafael Valim, sob o título: O caso Lula e o fracasso da Justiça brasileira. O livro contou com a colaboração do jornalista Mauro Lopes, que cuidou da edição, e, ainda,  há várias fotos, inclusive muitas do fotógrafo Ricardo Stuckert.
            Em sua segunda edição, esta obra traz acréscimos em relação à primeira edição, tem mais 12 perguntas respondidas por Lula, no segundo semestre de 2019, seu discurso no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, uma carta de Lula que foi lida na abertura da Feira São Paulo do Livro Político de 2019, bem como seu discurso em 9 de novembro de 2019, após ser solto, em 9 de novembro de 2019. E ainda ,  apresenta uma cronologia da vida de Lula  elaborada pelo jornalista e Camilo Vannuchi,  .
            Um livro que se destacou entre os mais vendidos por diversos meses e em termos de traduções e simultâneos lançamentos no exterior, em inglês, espanhol, francês e italiano.
            Trata-se, sem dúvida, de uma das obras mais importantes da história do Partido dos Trabalhadores, que merece ser lida detidamente por toda militância petistas, onde encontram diversas análises e detalhamento dos bastidores políticos durante os governos Lula e Dilma, que analisados criticamente poderão contribuir para o futuro auspicioso do Partido do Trabalhadores e do Brasil.

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ZÉ DIRCEU: MEMÓRIAS. Volume I : UMA LEITURA ESSENCIAL


A autobiografia de José Dirceu de Oliveira, Zé Dirceu: Memórias volume I, publicada em 2018, pela Editora Geração, mas ainda atual, é uma leitura recomendada para a militância petista e para quem queira analisar esta interpretação da política brasileira nos últimos 50 anos. 
A posição protagonista na vida partidária petista e na cena política brasileira assumida por Zé Dirceu e sua prodigiosa memória asseguram uma obra com conteúdo analítico, descritivo e didático das atitudes foram tomadas perante os impasses políticos. E a isto acrescenta o estilo claro e direto da redação de Zé Dirceu. 
Neste livro, Zé Dirceu apresenta uma retrospectiva dos fatos importantes em sua vida política no contexto da política brasileira. Mas, embora a leitura de todo livro seja proveitosa, recomendamos maior atenção crítica da militância petista ao que há a partir do capítulo 13, onde ele aborda os bons e os maus momentos, erros e acertos, defrontados pelo PT desde a fundação, contextualiza cada acontecimento político e expõe revelações que, em grande parte, são novidades para muitos, inclusive para alguns militantes do PT, principalmente ao abordar as mudanças na direção do PT, a oposição aos governos de Sarney, a luta pelo impeachment de Collor e as atitudes perante o governos FHC e de Itamar Franco, bem como durante os governos Lula e Dilma. 
Devido a importância de Zé Dirceu na construção. expansão e na interiorização do PT, na eleição de Lula, nos feitos do Governo Lula e na luta política brasileira em geral; as classes dominantes buscaram desenvolver um lawfare contra ele, o que ficará esclarecido, como ele declarou no volume 2 desta obra, mas já neste primeiro volume apresenta muito dos passos da direita no sentido de criminalizar o PT, seus líderes e sua proposta política.
A Amazon ainda possui exemplares deste desta obra de 598 páginas substanciais e com fotos históricas, que pode ser obtida na Amazon, versão escrita e versão Kindle,  nos seguintes  seguintes endereços eletrônicos:

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quarta-feira, 2 de junho de 2021

A CLASSE OPERÁRIA TEM DOIS SEXOS: TRABALHO, DOMINAÇÃO E RESISSTÊNCIA, DE ELISABETH SOUZA-LOBO GARCIA

 OLÁ  COMPANHEIRADA, HOJE O EBOOK É GRÁTIS

"Precioso resgate daquela que foi uma das pioneiras no Brasil dos estudos de gênero. Sua obra armou a militância, em especial, as operárias do ABC para a épica batalha pelo reconhecimento das diferenças de pautas no movimento sindical" (Monica Lúciarf -do PTDF).



   É para aqueles que VENHAM AGITAR e demais amantes da ótima literatura política.

Hoje apresentaremos uma das obras de Elisabeth Souza-Lobo Garcia, o livro A CLASSE OPERÁRIA TEM DOIS SEXOS: trabalho, dominação e resistência, cuja publicação de sua terceira edição ocorre neste ano de 2021, numa parceria entre Editora Expressão Popular e a Fundação Perseu Abramo.

    Trata-se de obra indispensável para a compreensão da evolução da sociologia do trabalho, da metodologia utilizada e sugeridas na abordagem das condições de opressão e exploração das mulheres vigentes em algumas fábricas do ABC entre cinquenta e trinta anos atrás e das perspectivas da luta social feminista de então.

        O título A CLASSE OPERÁRIA TEM DOIS SEXOS e subtítulo:  trabalho, dominação e resistência são bastantes sugestivos e mostram abrangência e pontos centrais enfocados nos artigos da doutora em sociologia do trabalho, professora universitária e militante petista tragicamente falecida em 1991.

      O livro tem uma chamada crítica de capa de Marilena Chauí, uma nota editorial conjunta da Editora Perseu Abramo e da Editora Expressão Popular, uma pequena biografia da autora, o prefácio da 2ª Edição, de Leila Blas, Helena Hirata e de Vera Soares, datada de 2010, e, por fim, uma apresentação de Helena Hirata, esta datada de 1991. E parte dos artigos foram traduzidos por Noêmia Arantes e por Marco Aurélio Garcia, que era o marido de Elisabeth.  

         Como esclarecido no interior da obra, a situação defrontada pela mulher na fábrica e na sociedade deve ser metodologicamente estudada, afinal operário não é operária, há diferenças, há relações hierarquizadas entre os gêneros, a mulher é mais oprimida e super explorada, situações que reproduzem a partir de uma estrutura de classe e dominação existente na sociedade.

       E os artigos, alguns em estudo conjunto com outros pensadores dos temas, reafirmam necessidade de o feminismo estudar a sua estratégia na luta pela emancipação e pela igualdade.

    Os artigos de Elizabeth Souza-Lobo Garcia foram produzidos entre 1982 e 1991, e, apresentados em três blocos principais, o primeiro, Práticas e Discursos das operárias, processos de trabalho e lutas sindicais no Brasil. Os anos 1970 a 1990.   O segundo, o gênero no trabalho, perspectivas teóricas e metodológicas. E, por fim, no terceiro bloco, Movimentos Sociais de mulheres: igualdade e diferenças.

         Assim, os artigos – como observam os coeditores – abordam três grandes temas: 1) estudos sobre a sociologia do trabalho, 2) reflexões sobre questões metodológicas e 3) análise sobre as mulheres nos movimentos sociais.

       Como observou Marilena Chauí ao final de sua chamada inicial: “Diante de nós, descortina-se o campo simbólico de representações no qual construímos o feminino e o masculino em suas múltiplas relações, da sexualidade ao poder. É isto que faz este livro não simplesmente atual, mas uma contribuição duradoura para os que, como Beth Lobo, estão empenhados na emancipação de homens e mulheres.”

      Sim, dizemos nós, esta obra, sem dúvida, além de lançar luz para se constatar a evolução histórica ocorrida durante e após a elaboração de Elisabeth, tem papel importante na definição dos rumos dos estudos, dos enfrentamentos e da superação destes temas e conflitos.

       É, portanto, um livro destinado não só aos estudiosos dos temas abordados, mas também para a combativa militância dos movimentos sociais que possui uma perspectiva de conquista da igualdade emancipatória. Com certeza, após esta obra, estaremos mais aptos para agitar, por isto, o canal VENHAM AGITAR recomenda a leitura desta obra, que pode ser baixada gratuitamente no site da FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO e cujo link se encontra abaixo:

https://fpabramo.org.br/publicacoes/estante/a-classe-operaria-tem-dois-sexos-trabalho-dominacao-e-resistencia/