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"Precioso resgate daquela que foi uma das pioneiras no Brasil dos estudos de gênero. Sua obra armou a militância, em especial, as operárias do ABC para a épica batalha pelo reconhecimento das diferenças de pautas no movimento sindical" (Monica Lúciarf -do PTDF).
Hoje apresentaremos uma das obras de Elisabeth Souza-Lobo Garcia, o livro A CLASSE OPERÁRIA TEM DOIS SEXOS: trabalho, dominação e resistência, cuja publicação de sua terceira edição ocorre neste ano de 2021, numa parceria entre Editora Expressão Popular e a Fundação Perseu Abramo.
Trata-se de obra indispensável para a compreensão da evolução da sociologia do trabalho, da metodologia utilizada e sugeridas na abordagem das condições de opressão e exploração das mulheres vigentes em algumas fábricas do ABC entre cinquenta e trinta anos atrás e das perspectivas da luta social feminista de então.
O título A CLASSE OPERÁRIA TEM DOIS SEXOS e subtítulo: trabalho, dominação e resistência são bastantes sugestivos e mostram abrangência e pontos centrais enfocados nos artigos da doutora em sociologia do trabalho, professora universitária e militante petista tragicamente falecida em 1991.
O livro tem uma chamada crítica de capa de Marilena Chauí, uma nota editorial conjunta da Editora Perseu Abramo e da Editora Expressão Popular, uma pequena biografia da autora, o prefácio da 2ª Edição, de Leila Blas, Helena Hirata e de Vera Soares, datada de 2010, e, por fim, uma apresentação de Helena Hirata, esta datada de 1991. E parte dos artigos foram traduzidos por Noêmia Arantes e por Marco Aurélio Garcia, que era o marido de Elisabeth.
Como esclarecido no interior da obra, a situação defrontada pela mulher na fábrica e na sociedade deve ser metodologicamente estudada, afinal operário não é operária, há diferenças, há relações hierarquizadas entre os gêneros, a mulher é mais oprimida e super explorada, situações que reproduzem a partir de uma estrutura de classe e dominação existente na sociedade.
E os artigos, alguns em estudo conjunto com outros pensadores dos temas, reafirmam necessidade de o feminismo estudar a sua estratégia na luta pela emancipação e pela igualdade.
Os artigos de Elizabeth Souza-Lobo Garcia foram produzidos entre 1982 e 1991, e, apresentados em três blocos principais, o primeiro, Práticas e Discursos das operárias, processos de trabalho e lutas sindicais no Brasil. Os anos 1970 a 1990. O segundo, o gênero no trabalho, perspectivas teóricas e metodológicas. E, por fim, no terceiro bloco, Movimentos Sociais de mulheres: igualdade e diferenças.
Assim, os artigos – como observam os coeditores – abordam três grandes temas: 1) estudos sobre a sociologia do trabalho, 2) reflexões sobre questões metodológicas e 3) análise sobre as mulheres nos movimentos sociais.
Como observou Marilena Chauí ao final de sua chamada inicial: “Diante de nós, descortina-se o campo simbólico de representações no qual construímos o feminino e o masculino em suas múltiplas relações, da sexualidade ao poder. É isto que faz este livro não simplesmente atual, mas uma contribuição duradoura para os que, como Beth Lobo, estão empenhados na emancipação de homens e mulheres.”
Sim, dizemos nós, esta obra, sem dúvida, além de lançar luz para se constatar a evolução histórica ocorrida durante e após a elaboração de Elisabeth, tem papel importante na definição dos rumos dos estudos, dos enfrentamentos e da superação destes temas e conflitos.
É, portanto, um livro destinado não só aos estudiosos dos temas abordados, mas também para a combativa militância dos movimentos sociais que possui uma perspectiva de conquista da igualdade emancipatória. Com certeza, após esta obra, estaremos mais aptos para agitar, por isto, o canal VENHAM AGITAR recomenda a leitura desta obra, que pode ser baixada gratuitamente no site da FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO e cujo link se encontra abaixo:

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